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Eu sou a Lenda – O horror em sua origem


Wendell Stein

“Eu sou a lenda”, livro de Richard Matheson escrito em 1954 foi uma das grandes surpresas literárias que tive em 2018. Em 2008 assisti o filme com o mesmo nome, estrelado por Will Smith e dirigido por Francis Lawrence e não gostei da produção. A decepção com filme não ajudou a encarar a leitura do livro. É inacreditável o que uma péssima adaptação literária faz com uma produção cinematográfica, vide “A Torre Negra” de 2017, que “esculachou” a obra magistral de Stephen King.

Foi graças a um comentário de Alexandre Callari, professor, escritor, apresentador do programa “Pipoca e Nanquim” e tradutor de altíssima qualidade que acabei lendo o livro “Eu sou a Lenda”, e que que livro!

Sempre fui um aficionado por histórias de vampiros, tendo “´Salem´s Lot” de Stephen King e “They Thirsty” the Robert R MacCammon como meus livros favoritos do tema. “Eu sou a Lenda” é um livro escrito na década de 50, mas completamente atual, um horror psicológico que nos prende a cada página.  A gente se sente dentro da pele do protagonista, Robert Neville, o único sobrevivente de uma epidemia que transformou as pessoas em vampiros. Acompanhamos sua solidão, a dor da perda da esposa e cada passo que ele percorre, sua jornada, com um realismo absurdo. É um livro que investiga a fundo a ciência por trás do vampiro; o que leva a transformação; a razão do funcionamento de objetos como alho, espelhos e crucifixos nestas criaturas. O próprio Neville estuda estes questionamentos nos levando a descobertas fantásticas.

A obra editada pela Editora Aleph tem um acabamento gráfico impecável, conteúdo extra, e uma boa tradução a cargo de Delfin.

Richard Matheson é famoso por ser o roteirista de vários episódios da primeira versão de “Além da Imaginação” e do romance “Em algum lugar no Passado”, também escreveu o livro “Hell House” publicado nos anos 80, além de dezenas de outras obras divididas entre contos, roteiros, romances e textos sobre metafísica. Stephen King e George Romero são pessoas que foram diretamente influenciados pela obra deste autor, que fez evoluir o clima gótico existente na literatura desde “Drácula” de Bram Stoker.

Uma obra cheia de surpresas que caminha por lugares escondidos dentro da alma humana e que nos faz indagar o que nos faz seres humanos. É uma leitura que nos leva, junto ao personagem a uma catarse, que mesmo por um fim não hollywoodiano, nos liberta e nos faz refletir em quem somos e o que nos podemos nos tornar. Valeu Alexandre Callari!

Nota do livro = 9.8

Wendell Stein é escritor, roteirista e jornalista. e-mail wendellstein@me.com

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